Resenha - Contos dos Irmãos Grimm

Era uma vez Jacob e Wilhelm Grimm. Os irmãos alemães se dedicaram ao registro de fábulas e contos infantis. As histórias se espalharam pelo mundo e transformaram através dos séculos. Hoje, o universo lúdico dos contos de fadas faz parte do imaginário coletivo influenciando aventuras e romances imaginários e reais. - Que mulher nunca se comparou a Cinderela? - Contos dos Irmãos Grimm da Editora Rocco reúne fábulas como Gata Borralheira, Banca de Neve, e Rapunzel a histórias menos conhecidas do publico, como O Velho Sultão e Elza Sabida.

Organizado pela Doutora em Estudos Multiculturais e Psicologia Clínica Clarissa Pinkola Estés a publicação apresenta 53 contos registrados pelos Grimm, além de um ensaio escrito pela organizadora. Em Terapia dos Contos, a doutora analisa o papel dos contos de fadas na sociedade. Partindo da época em que foram registradas pelos irmãos alemães, quando pertenciam a uma tradição oral, até os dias atuais quando uma mesma história pode ser contada de diversas formas, livros, CDs, Cinema, TV.

O ensaio analisa o surgimento, influência e adaptação, uma vez que as histórias foram adequadas aos costumes e valores de cada época. A autora discorre de forma simples e clara sobre a arte transmitir histórias através dos tempos, criando um paralelo com obras literárias e mesmo de outras mídias.
Segundo a própria autora, é impossível determinar a versão original de cada conto, devido a sua tradição oral, as diversas adaptações e traduções. Contudo as histórias apresentadas neste livro tentam remontar as versões mais antigas dos contos, antes da ética e didática suavizarem seu conteúdo. Diferente das versões mais populares das histórias, como as produzidas pelos estúdios Disney, onde são amenizadas e açucaradas, “para não assustar as crianças”, as versões contidas nesse livro podem assustar os pequenos e surpreender os adultos.

Originalmente a expressão “e viveram felizes para sempre” não era aplicada a todos os personagens. Os vilões, por exemplo, sofriam castigos severos, por vezes brutais, como ter os olhos arrancados por pássaros, ou o estômago recheado de pedras. Mesmo detalhes dentro da história são diferentes das versões mais conhecidas do público, como a ausência da figura da fada madrinha em Cinderela, essencial nas versões contemporâneas.

As fábulas apresentadas no livro são mais frias, cruéis e consequentemente mais reais que as narrativas populares. Apresentam várias camadas de interpretação, percebidas de forma diferente de acordo com a idade do leitor. Retiram a monotonia de histórias já conhecidas, além de apresentar novos contos.
Seguindo o tom das narrativas o livro traz de ilustrações de Artur Rackman, que ressaltam o senso de realidade das histórias. As imagens fogem do estereótipo belo e perfeito dos contos de fadas modernos, monstros são assustadores, bosques sombrios realmente intimidam. As ilustrações recebem atenção especial no prefácio escrito por Estés. A autora analisa não apenas as obras de Rackman, mas também a influência e importância dos desenhos para as histórias.

Contos dos Irmãos Grimm tem 315 páginas e tradução de Lia Wyler. A encadernação em capa dura faz referência ao próprio universo dos contos, em que histórias são contadas a partir de grandes e antigos livros.
Em tempos onde o “felizes para sempre” não passa de ficção, e os casamentos tem prazo de validade, nada mais interessante que reler aventuras e histórias de amor que inspiraram gerações. Além de perceber que mesmo com finais felizes, os contos de fadas podem ser mais ricos e complexos do que recordamos.

Contos dos Irmãos Grimm
Organizados por Clarissa Pinkola Estés
Rocco 
 Trabalho apresentado na disciplina de Crítica Literária no curso de Pós Graduação em Jornalismo Cultural, em 2007

0 comentários:

 

Copyright © 2010 Portfólio on-line All Rights Reserved

Design by Dzignine