Globalização:
Indentidades pós-modernas no cotidiano

Crise de identidade, fragmentação do indivíduo moderno, a influência da globalização, entre outras questões sobre formação da identidade cultural pós-moderna, ainda estão longe de deixarem de ser objetos de discussão teórica. Presente no cotidiano atual exemplos e discussões desses temas podem ser encontrados nos mais diversos meios e ambientes.

Exemplo disso, o filme Meninas Malvadas (Mean Girls¹) de 2004, mostra de forma exagerada, e bem humorada, como a identidade do sujeito pós-moderno, está em constante mudança, para atender as necessidades do meio em que se encontra. Na trama Cady criada na selva africana pelos pais zoólogos entra pela primeira vez em um colégio, aos 15 anos. A personagem é jogada do mundo afastado e isolado da selva africana no tradicional high school americano. O ambiente tão familiar em filmes é um retrato perfeito de uma “mini-sociedade” globalizada. Onde as informações são transmitidas a velocidade da luz e as pessoas têm que aprender a lidar com os mais diversos círculos sociais, além de filtrar as centenas de estímulos a que são expostos todo o tempo.

Criada num ambiente estável, Cady tem uma crise de identidade ao tentar se adaptar a nova escola. Os estímulos tão familiares ao nosso dia-a-dia, como as diferenças entre os diversos grupos sociais, as distrações durante as aulas, o excesso de informações, ou até o fato de tudo isso estar acontecendo ao mesmo tempo, se refletem em seu comportamento. Sua identidade muda de acordo com a necessidade, mas diferente de suas colegas sua mudança acontece em tempo integral. Isso acontece porque criada em um ambiente estável, se comparado ao colégio, Cady tem um identidade mais próxima a do sujeito do iluminismo ou mesmo do sujeito sociológico, ambas citadas por Stuart Hall, identidades estáveis. Enquanto o mundo a sua volta exige que sua identidade e comportamento se adaptem todo o tempo, para atender ao grande numero de estímulos muitas vezes conflitantes.

“O sujeito assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um ‘eu’ coerente.” Seguindo a lógica de Hollywood, mesmo lidando com os altos e baixos da trama, não leva muito tempo para a protagonista aprender, a diferenciar, organizar e mesmo tirar proveito de suas diversas identidades. Tornando-se um sujeito fragmentado, comum a sociedade pós-moderna.

A velocidade, a grande quantidade de informação, e as constantes mudanças geradas pelas novas tecnologias e pela globalização formam um novo tipo de sujeito cuja identidade se modifica e se adapta de acordo com as necessidades ao seu redor, criando um indivíduo fragmentado. Presente em nosso cotidiano, as características e conseqüências dessas novas identidades já são percebidas, nos produtos de mídias mais variados. Esses personagens povoam os produtos da cultura atual, e nos ajudam a descobrir e entender não apenas essas mudanças, mas também as diversas identidades presentes em nós mesmos, bem como a função de cada uma no mundo que nos cerca.

¹MEAN GIRLS. Direção: Mark Waters. Produção: Lorne Michaels. Roteiro: Tina Fey. Interpretes: Lidsay Lohan, Rachel McAdams, e outros. Paramount Pictures, 2004. DVD (96 min) som, color.

Trabalho acadêmico para disciplina Globalização, do curso de pós-graduação em jornalismo cultural da Universidade Estácio de Sá.


Fevereiro de 2008


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